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Literatura e história direto do alambique

No Dia Internacional do Livro (22/11), uma homenagem a uma das obras gaúchas mais importantes: O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo. A amizade entre o autor e a família Kunz, fundadora da Petronius Beverages, deu origem a uma cachaça tipicamente artesanal, inspirada na consagrada obra. A Serigote é um resgate à história do fim da década de 1930, quando a então Vinícola Petronius produzia exclusivamente vinhos finos e destilados e recebia visitantes vindos de outras cidades para degustações em sua sede, na época em Gramado. “Naquele período, o escritor chegou a hospedar-se na casa da família Kunz. E por conta desta proximidade, Erico Verissimo batizou uma das famílias que aparecem em O Tempo e o Vento com o sobrenome de origem alemã”, relembra o diretor da empresa, Emílio Kunz.

O nome da família ficou eternizado na primeira parte da trilogia, O Continente, com a narração da chegada em Santa Fé, em 1833, de duas famílias de imigrantes – uma delas chefiada por Erwin Kunz. “É com muito orgulho que nos inspiramos em uma obra que eterniza os Kunz”, explica Emílio. O personagem tinha o apelido de Serigote, daí a inspiração da marca da primeira cachaça de alambique da Petronius Beverages. As gravuras que estampam os rótulos da cachaça foram elaboradas pelo artista plástico Rafael Dambros, usando a técnica de desenho com caneta esferográfica.

A Serigote é elaborada com cana cultivada por pequenos produtores do interior do Rio Grande do Sul. O processo fermentativo do suco natural da cana-de-açúcar busca a melhor expressão aromática. Os alambiques utilizados na destilação são os mesmos construídos por Eloy Kunz na década de 1960, com um projeto francês, que garantem uma fina destilação e resultam em uma cachaça branca leve e aromática. Está disponível em bares e lojas especializadas, ao preço sugerido de R$ 60. A produção acontece na sede da Petronius, no interior de Caxias do Sul.

A origem do nome Serigote
Serigote é uma expressão regional do Rio Grande do Sul para lombilho, uma pela da sela (arreio) usada pelos gaúchos antigos. Continha duas partes mais altas que davam sustentação e conforto ao cavaleiro. O vocábulo é uma deturpação da expressão alemã: sehr gut (muito bom). Os imigrantes alemães trouxeram a inovação e quando a mostraram aos locais, estes entenderam ser esse o nome da peça.

Conheça trechos do livro usados nos contrarrótulos:
“Helga, que todos conheciam como “a filha do Serigote”, parecia ficar cada vez mais bonita e gostava de andar com lenços de cores muito vivas amarrados na cabeça.”

“Naquele mesmo instante, atrás do cemitério, Rodrigo contemplava o corpo nu de Helga Kunz.”

“Outro felizardo era o Erwin Kunz – conhecido agora no povoado como ‘O Serigote’. Passava os dias a fazer lombilhos e a bater sola (…)”

A Petronius Beverages
O projeto familiar resgata a história de seis gerações de produtores de bebidas no Brasil. A Petronius Beverages, dos sócios Emílio Kunz, Júlio Cesar Kunz e Augusto Kunz, foi fundada há 3 anos, mas a paixão pela arte de produzir bebidas da família começou muito antes, em 1846, ainda na Alemanha, quando Johann Philipp Kunz deixou o pequeno vilarejo de Bierkenfield, na Prússia, e veio ao Brasil. Os primeiros antepassados foram responsáveis pelas primeiras receitas de destilados que levaram o nome da família.

Para receber a sede da Petronius Beverages, a família escolheu uma propriedade de rara beleza, no interior de Caxias do Sul, em São Valentim da 2ª Légua. Uma região cercada pela natureza, onde mantém história e contemporaneidade em perfeita harmonia. Na propriedade, está também a casa mais antiga da cidade, construída pelos primeiros imigrantes italianos em 1876.

Hoje, a Petronius já está presente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás com as cervejas Schatz e a cachaça Serigote.

Fotos: Geremias Orlandi